4 de março de 2016

Como escolher a profissão certa? Especialistas mostram como os estudantes devem agir na hora de escolher a sua futura profissão

É raro um estudante que passa ileso por esse questionamento. Em geral, ansiedade, angústias e incertezas marcam o período, o que, na visão de especialistas, nem sempre é prejudicial. "Uma dose de ansiedade pode ser benéfica, uma vez que leva o aluno a se dedicar mais inteiramente ao processo de escolha. Não a ansiedade que paralisa, mas a que mobiliza para a vida", esclarece Alessandra Suplicy Conway, psicóloga em Santos-SP.

O que o jovem vestibulando deve fazer para tomar a decisão mais acertada? Como encontrar a profissão que mais combine com o seu perfil? "Fundamentando sua escolha em muita informação", responde a orientadora Andréa Godinho. "O estudante precisa fazer uma busca rigorosa de informação, tanto sobre si próprio, quanto sobre as muitas carreiras existentes, o mercado de trabalho e as muitas frentes em que ele pode atuar". 

O jovem tem de ter papel ativo na escolha da profissão. "Precisa buscar informações em diferentes fontes: na escola, na família, na universidade que pretende cursar e com profissionais experientes", recomenda a especialista Alessandra Conway. Investir no autoconhecimento é uma boa saída. "Conhecer-se é essencial para tentar se colocar de forma mais inteira na carreira", diz Regina Nascimento.

Veja as principais dicas para poder tomar uma decisão coerente e segura:

1. Identificar áreas de interesse na escola: de quais disciplinas você mais gosta? Em quais se sai melhor nas notas e tem mais facilidade de aprender? Identificar as áreas de maior interesse na escola é um bom começo para se vislumbrar a profissão que mais combina com você.

2. Conhecer-se em profundidade: um exercício que pode ajudar na escolha da profissão é levantar traços de sua personalidade e identificar suas habilidades extracurriculares. Parece simples, mas quando se precisa ter essas informações bem claras e relacionadas aos cursos que se pretende seguir, a coisa complica. Nessa hora, é importante tentar responder algumas perguntas: como eu me vejo? Gosto mais de atividades em ambiente fechado ou ao ar livre, em contato com a natureza? Prefiro me relacionar com muitas pessoas ou atividades com poucos amigos? Tenho mais habilidades motoras, espaciais, corporais ou manuais? Gosto que me proponham desafios? Sou uma pessoa muito dinâmica ou mais pacata? Sou mais empreendedor ou aprecio mais a estabilidade? Em que tipo de situação eu me sinto bem e em qual eu me sinto desconfortável?

3. Informar-se: buscar informações rigorosas (na Internet, nos guias de profissão, em revistas, em feiras, etc.) Algumas questões precisam necessariamente estar claras para o jovem: como é o campo de trabalho de determinada profissão? (para não achar, por exemplo, que todo jornalista vai trabalhar na TV), qual é a média de salário desses profissionais? Quais são as disciplinas do curso que pretendo fazer? O que determinada profissão exige do profissional? E assim até reunir todas as informações relevantes sobre uma profissão desejada.

4. Conversar com a família: falar com os pais ou familiares pode trazer bons resultados práticos. O ideal é superar barreiras e conversar sobre possibilidades e dificuldades da profissão. A escolha é dos filhos, mas os pais devem dar o suporte necessário.

5. Procurar profissionais do mercado: ninguém melhor que o profissional que já está inserido no mercado de trabalho para falar sobre ele e o dia a dia da profissão. Se você não conhece nenhum engenheiro químico ou biólogo ou outro profissional da área que lhe interesse, peça indicação a familiares e amigos, ou fale na sua escola para que eles tentem organizar encontros, levando esses profissionais para o colégio ou os estudantes para o local de trabalho deles.

6. Visitar universidades: muitas faculdades públicas e privadas têm aberto suas portas para vestibulandos, curiosos para conhecerem a rotina da instituição, o ambiente, as disciplinas dos cursos e, assim, certificarem-se de que estão (ou não) fazendo a escolha mais afinada ao seu perfil. E esta é uma atitude bastante correta. Procure descobrir como você pode fazer para marcar com o coordenador do curso. Ele é a pessoa mais preparada para dar todas as informações de que você precisa. Vá com sua família e amigos e tire todas as suas dúvidas.

7. Diferenciar profissão e carreira: escolher uma profissão é o primeiro passo para se construir uma carreira, que é algo a ser construído a partir de uma escolha de hoje, que pode se desdobrar em várias alternativas amanhã. Se hoje você escolhe fazer Engenharia Civil pensando em trabalhar com grandes construções, ao final do curso essa pode nem ser mais uma prioridade. Basta olhar o mercado e ver quantos engenheiros estão seguindo para a área econômica. Segundo especialistas a escolha da profissão não pode ser vista como uma sentença de vida. Dentro de um curso, ele poderá seguir por dezenas de caminhos diferentes. Saber disso reduz a angústia.

8. Projetar-se no futuro: perguntas que todo estudante deve se fazer, e tentar responder com o máximo de dedicação: como você se vê daqui a 10 anos? Numa profissão mais segura ou mais empreendedora? Qual estilo de vida sonho ter? Tenho metas para o meu futuro? Quero trabalhar em grandes cidades, no exterior ou ainda numa cidade menor e tranquila, perto da minha família? O que eu quero conquistar com a minha profissão? A partir dessas respostas, ele pode começar a enxergar-se em determinadas profissões. Não se trata de criar expectativas muito altas, mas de encontrar uma linha mestra que orienta na escolha da carreira a partir de objetivos para o futuro.

 9. Evitar idealizações: um erro que muitos estudantes cometem é pensar que, porque escolheram uma determinada faculdade a partir de suas aptidões e vocação, necessariamente irão gostar de tudo que estudarão nesse curso. Isso é impossível, e aumenta as chances de o estudante se decepcionar e desistir.

10. Identificar seus pontos fortes e fracos: para que eles fiquem bem claros, escreva-os em uma folha de papel. De um lado, coloque os seus pontos fortes e, de outro, os seus pontos fracos. Não deixe nenhum de fora. Em seguida, procure associá-los às profissões que você pretende seguir (para isso, você precisa estar bem por dentro de todos os cursos que lhe interessam). É uma maneira de se assegurar das habilidades que já tem, mas também perceber aquelas que terá de trabalhar para que consiga se sair bem em determinada profissão. Afinal, ninguém está completamente pronto para seguir uma determinada carreira e terá de se desenvolver em muitos aspectos.

11. Procurar um orientador vocacional: um estudante pode procurar um profissional para se sentir seguro com uma escolha que já foi feita ou mesmo para receber ajuda desde o início do processo, com o reconhecimento de suas aptidões. E o trabalho do orientador vocacional (ou profissional, como também é conhecido) é um diferencial porque é feito sem o julgamento que ocorre, por exemplo, nas famílias. Este serviço é oferecido em alguns colégios inclusive. Mas não pense que o orientador irá te dar uma resposta pronta. Ele desenvolve um trabalho para ajudar a se conhecer melhor e descobrir suas habilidades e aptidões.

12. Ir com calma e não ter medo de recomeçar: às vezes a ansiedade em ter logo uma carreira profissional faz com que se tenham escolhas erradas, que no futuro se transformam em decepção e arrependimento. Lembre-se que o importante é ser feliz, então nunca é tarde para recomeçar.

Fonte: Educar para Crescer

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