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Youtuber é a nova profissão que todo adolescente quer ter

Com uma geração cada vez mais conectada às redes sociais, meninos e meninas sonham com o sucesso na internet

Dia desses, as gêmeas Melissa e Nicole Jakubovic, de 10 anos, resolveram colorir a piscina da casa dos avós, na Barra, com 100 tubos de corante rosa. A farra foi registrada em vídeo pela mãedas pequenas, a publicitária Camila Jakubovic. Quando vovó viu a bagunça, ficou uma fera. “Não acredito que você deixou as meninas fazerem isso, Camila! Vai manchar tudo!”, desesperou-se. Resultado: o vídeo "Trollamos a Nossa Avó" teve impressionantes 6,3 milhões de visualizações no YouTube. É pouco, no entanto, comparado ao sucesso estrondoso de Dono do Meu Coração, clipe gravado pelas garotas com música de autoria da própria mãe das meninas. O filme, rodado no condomínio onde a família mora, também na Barra, já foi reproduzido mais de 57 milhões de vezes na plataforma, com versinhos como “Ele é o dono do meu coração / Eu faço tudo para chamar sua atenção” e “Passei um perfume tão doce quanto o mel / E para fazer estilo coloquei até chapéu”. Foi assim, brincando, que Melissa e Nicole se tornaram estrelas de um dos maiores canais mirins do YouTube no Brasil. São mais de 7,4 milhões os seguidores do Planeta das Gêmeas, criado há três anos. Entre outros hits estão os vídeos que mostram as diferenças entre a menina comportada e a funkeira, as formas de descobrir se sua amiga é invejosa e muitos jogos e desafios que os seguidores podem repetir em casa. Questionadas sobre o que querem ser quando crescer, as irmãs respondem em uníssono: “Youtuber”.


A justificativa para a escolha é compreensível. “Em que outra profissão a gente poderia pregar peça nos nossos avós, na nossa mãe e nos nossos amigos? É muito divertido”, explica Nicole. Para a nova geração, carreiras tradicionais, como direito, engenharia ou medicina, parecem distantes. Ofícios como os de bombeiro, professor e policial já não têm espaço garantido no imaginário infantil. Acostume-­se com a ideia: o ídolo do seu filho é, muito provavelmente, um influenciador digital. No Reino Unido, uma pesquisa realizada no ano passado pela empresa First Choice, com 1 000 crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos, revelou que 75% dos entrevistados sonhavam em seguir a carreira de youtuber. A opção “médico” aparece em sexto lugar no ranking, atrás de ocupações como blogueiro, cantor, ator e diretor de cinema — a propósito: a profissão de advogado está na última posição na lista. No Brasil, ao que tudo indica, não é diferente. As gêmeas Melissa e Nicole são representantes expressivas desse novo comportamento. Camila, a mãe delas, fechou a ótica da família para se dedicar ao canal das filhas no YouTube. “Roteirizo e gravo os vídeos com o meu celular. São pelo menos dois por semana. O canal virou uma empresa, é com ele que pagamos as contas de casa”, revela. Um cálculo simplista, só com base no número de visualizações, mostra que o faturamento das irmãs varia em torno de 80 000 reais por mês. Isso sem contar os negócios paralelos que surgem na esteira do sucesso na internet.

Dos 100 canais mais vistos no país, 36 têm conteúdo direcionado a pequenos de até 12 anos ou consumido por eles”, revela a pesquisadora Luciana Correa, que coordenou um estudo sobre o tema no Media Lab da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). “As crianças assistem a esses youtubers e querem ser iguais a eles. São os ídolos dos novos tempos”, conclui. Bruna Negendank, aluna do 3º ano do ensino fundamental no Colégio Santo Agostinho, se encaixa bem nesse perfil. Aos 8 anos, dona de um celular e fã de canais como Planeta das Gêmeas, ela decidiu criar a própria vitrine on-line. “Antes de ser youtuber, queria ser atriz, cantora e modelo. Aí comecei a ver os vídeos e gostei. Ter um canal vai me ajudar a ser famosa. Acho muito legal a ideia de me pararem na rua para tirar uma foto”, conta a pequena, que tem seus passeios pela cidade gravados e postados pela mãe, Paolla, (por enquanto) uma administradora de empresas.

Quando a produção de vídeos no YouTube prova que pode ir além de uma brincadeira, mostrando-se rentável, é natural que essa rotina comece a se profissionalizar. Por isso, vários cursos para dominar esta técnica de comunicação vem surgindo no mercado.


Fonte: Veja Rio

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